Eletrolar Show 2026 22–25 jun · Distrito Anhembi, SP
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Insatisfação gera onda de presidentes conservadores, diz Paulo Guedes

A onda conservadora que tem eleito candidatos de extrema-direita no ocidente é fruto de um sentimento – essa palavra é importante – de insatisfação generalizada entre as classes média e mais populares, que sentem que o crescimento econômico global foi desigual entre oriente e ocidente nos últimos anos. Essa também é a razão do fim da ordem liberal estabelecida após a Segunda Guerra Mundial, após mais de 80 anos de “liberdade econômica e política”.

Essa é uma das principais conclusões de Paulo Guedes, economista e ex-ministro da Economia do Brasil entre os anos de 2019 e 2022, durante palestra ministrada na Eletrolar Show All Connected nessa segunda-feira (22). O evento vai até quinta (25) no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Segundo ele, após um período de globalização e livre mercado que permitiu o desenvolvimento de diversas economias no mundo todo, a entrada da China no jogo do capitalismo global mudou a balança. Os carros chineses são mais eficientes e baratos, por exemplo, assim como inúmeros produtos. Enquanto isso as economias ocidentais são mais ineficientes e gastam muito.

A sensação, ponderou Guedes, é que apesar de todo mundo ter melhorado, “a gente melhorou menos”.

Tudo isso causou uma reação das economias ocidentais, especialmente os EUA. “Antigamente o movimento das pessoas era um alívio. Hoje o que os americanos dizem é que o sujeito chega [nos EUA] para vender droga e arrumar uma aposentadoria”, salientou o economista. “O mundo começou a mudar.”

Guedes usou o termo “desordem mundial” para refletir o atual momento das nações. Segundo ele, a antiga ordem liberal, incluindo suas instituições, sofre de uma crise de confiança. “Se hoje estamos botando barreiras [entre países], quer dizer que o mundo não está melhorando”, disse, apesar da admissão de que “nunca ouve tanto progresso”.

Para o economista, enquanto as empresas transnacionais estão “felizes” com os ganhos obtidos na economia atual, a classe média “está amassada”. E isso explica as vitórias recentes da extrema-direita em eleições recentes. “A classe média está dizendo que está insegura e quer ‘um cara que o defenda’”, ponderou. E alertou que os governos atuais estão “descredenciando as instituições”.

“O mundo está crescendo menos, a inflação está mais alta e a vida está ficando mais difícil”, ponderou.

Brasil e otimismo

Apesar do cenário internacional complexo, que “não vai melhorar tão cedo”, Guedes é otimista quanto aos rumos do Brasil. Segundo ele, “não vai haver uma Terceira Guerra Mundial”, e apesar de as democracias estarem “em transe”, o País “não tem inimigos naturais”.

“É a hora do Brasil. O Brasil é a reserva alimentar do mundo. Tem energia mais barata e mais limpa do mundo. (…) Temos uma taxa potencial de crescimento de 3%”, disse. “Nosso problema só é um: nós mesmos.”

O economista disse que o Brasil tem “um destino incontornável: vai dar certo”, mas que isso pode acontecer de forma rápida, se tudo for feito “da forma certa”, ou “com muito tumulto, se fizermos tudo errado”. E que “cada um de nós tem que fazer seu papel”.