Eletrolar Show 2026 22–25 jun · Distrito Anhembi, SP
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Mercado brasileiro de eletrônicos manterá crescimento até o fim de 2026

O mercado global de tecnologia, no qual se insere também o de eletroeletrônicos, está crescendo, apesar do cenário econômico global complexo, com guerras, inflação e uma crise de componentes. Excluindo a América do Norte, o volume movimentado chegou a US$ 216 bilhões em 2025, crescimento de 9% em dólares (e 3% com câmbio fixo). A América Latina contribui com US$ 15,1 bilhões, crescimento de 11% em relação ao ano anterior.

“O mercado de eletrônicos no mundo inteiro está crescendo”, salientou Mateus Bando, gerente sênior de CS e líder de TD da NielsenIQ. O especialista fez uma palestra no terceiro dia da Eletrolar Show All Connected 2026.

Segundo ele, o varejo de tecnologia no Brasil acumula 30 meses consecutivos de crescimento em unidades para o consumidor final. No primeiro trimestre de 2026, movimentou R$ 51 bilhões, além de um crescimento de 6,4% em unidades.

Muito embora categorias principais como smartphones e notebooks tenham registrado queda nas vendas, aquelas correlatas a elas cresceram, como fones de ouvido e dispositivos vestíveis, como smart watches. Isso se deve a uma queda de preço médio entre esses produtos associados, enquanto os principais ficaram mais caros.

A linha branca também cresceu, com refrigeradores crescendo 22% devido à “demanda reprimida do mercado”. Outra categoria de grande crescimento foram as tevês – a categoria de áudio e vídeo (do qual os televisores fazem parte) cresceu 8% no primeiro trimestre, em boa parte porque é ano de Copa do Mundo de futebol masculino (ver mais abaixo).

O estudo da Nielsen também detecta uma forte mudança geracional em curso entre os consumidores, com a chamada “geração z” chegando ao mercado e “consumindo de um jeito diferente”. É um público que passa muito tempo conectado, e por isso tem entre os anúncios online (17,7% dos casos) e nas redes sociais (14,2%) o principal gatilho de compra. Anúncios na televisão aparecem com meros 7,7%.

Considerando o consumidor brasileiro no geral, existe uma dicotomia interessante. Ou as pessoas fazem compras muito impulsivas, ou seja, em poucos dias, mesmo com produtos de alto valor agregado (28% dos casos), a “segunda maior parte compra em oito semanas, ou seja, se planeja” (19%). Seja como for, a maior parte dos consumidores pesquisa produtos somente online.

Copa do Mundo e a ‘demanda pura’

É tradição: Copa do Mundo no Brasil é época de comprar televisão não só nova, mas também maior e melhor. E isso não depende de encontrar promoções, uma vez que o varejo experimenta crescimento mesmo sem descontos. E, segundo Bando, quanto melhor o desempenho da seleção brasileira, melhores as vendas.

Diferente da Copa de 2022 (quando o evento foi realizado no fim do ano), as de 2014, 2018 e 2026 mostram aquecimento significativo nas vendas de TVs nas semanas que antecedem o evento. O crescimento chegou a 65% em 2026.

Trata-se, segundo o especialista, de uma “demanda pura”, uma vez que as copas não são tradicionalmente períodos de grandes promoções de TVs. Historicamente, disse, o Dia das Mães gera mais esforço promocional por parte do varejo. Além disso, há tendência de troca de telas pequenas por maiores, mais acessíveis hoje do que em copas anteriores.

Segundo Bando, o preço médio das TVs permanece estável, ou com pequena queda marginal (-0,3%) durante o período da copa. Ou seja, a demanda não é sensível a preço. E o especialista está otimista sobre o mercado brasileiro de eletroeletrônicos em geral. “Mesmo em cenário de retração e estagnação da economia, a venda de alguns produtos continua crescendo até o fim do ano. E a venda de TVs deve atingir de 10 a 15% do volume total do mercado”.