Um time de futebol, antes de começar um campeonato, precisa se preparar. O técnico pensando nas táticas e o preparador físico deixando os atletas prontos para enfrentar os adversários. Em clima de Copa do Mundo, o advogado tributarista José Lima Neto, do Reigada, Batista e Devisate Sociedade de Advogados, equipara esses profissionais para uma melhor adequação à Reforma Tributária.
“O contador vai preparar sua empresa, vai deixar você e a sua equipe fortes para que façam o que sabem fazer, que é vender, ou prestar o seu serviço. E nós advogados podemos ser considerados os preparadores físicos para deixar a empresa sempre bem preparada em seus contratos”, brincou. “Com a reforma tributária você tem que reavaliar todos os contratos com fornecedores.”
O alerta foi feito no segundo dia da Eletrolar Show All Conected 2026, evento que começou na segunda-feira (22) e vai até quinta (25) no Distrito Anhembi, zona norte de São Paulo.
Atualmente em período de adequação, ainda sem efeitos práticos, a reforma tributária brasileira exige que empresas do varejo digital se preparem através de planejamento estratégico e assessoria jurídica e contábil especializada. O objetivo final é evitar perdas e otimizar ganhos diante de um cenário que ainda desperta muitas dúvidas.
Lima neto lembrou que as mudanças estão na tributação do consumo, não da renda, e que ela elimina PIS, COFINS e IPI (em parte), além de ICMS e ISS, criando o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, de âmbito federal) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, estadual). Também cria o Imposto Seletivo (IES), o “imposto do pecado”, que incidirá sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Um aspecto importante mencionado pelo advogado é que a tributação no destino, ou seja, o imposto, será cobrado no local onde o consumidor está. E que isso exige que o varejo preste atenção ao destino da venda, inclusive na precificação. Novas formas de cobrança dos impostos (Split Payment e crédito pleno para fornecedores) também podem ter impacto no fluxo de caixa das companhias.
Por isso, alertou o advogado, é fundamental um bom planejamento para aproveitar o que a reforma traz de positivo, e evitar riscos como notas fiscais rejeitadas, margens de lucro descontroladas, perda de créditos e problemas de fluxo de caixa, além de um aumento da carga tributária.


