A construção de negócios ao longo do tempo, com aprendizados, erros e reinvenções, foi o foco do painel “Empreender em série: reputação, conteúdo e resultado”, realizado durante o Congress Brazil Mobile 2026. A conversa reuniu Edson Mackeenzy, fundador da Business Design Academy, Denis Penna, fundador da Polo Palestrantes, e Daniel Orlean, CRO da Finaya.

Ao compartilhar suas trajetórias, os executivos destacaram que o empreendedorismo serial não está ligado apenas a abrir múltiplos negócios, mas à capacidade de aprender continuamente e evoluir a cada ciclo. “Ou eu ganho, ou eu aprendo”, resumiu Daniel Orlean, ao reforçar que erros fazem parte do processo e ajudam a preparar o empreendedor para desafios futuros.

Um dos principais pontos abordados foi o momento de transição entre crescimento e escala. Segundo Orlean, muitos empreendedores conseguem levar o negócio do zero ao estágio inicial, mas enfrentam dificuldades ao avançar para fases mais estruturadas. “Saber a hora de trazer gente melhor que você para levar o negócio ao próximo nível é fundamental”, afirmou.

A discussão também trouxe reflexões sobre o mito do “olho do dono”. Embora a proximidade com a operação seja importante no início, os palestrantes destacaram que esse modelo limita o crescimento. “Se o negócio depende só de você, ele cresce até onde você alcança”, pontuou Orlean, ao defender a profissionalização e a criação de sistemas.

Edson Mackeenzy relembrou sua trajetória com o Videolog, criado antes da popularização do vídeo online, e destacou os desafios de inovar em um mercado ainda imaturo. Ao falar sobre o encerramento de negócios, ele chamou atenção para o peso cultural do fracasso no Brasil. “O pior carrasco do empreendedor é ele mesmo”, afirmou, ao defender uma visão mais madura sobre erros e falhas.

A importância de estruturar o negócio antes de expandir também foi reforçada. Para Mackeenzy, muitos empreendedores buscam crescimento acelerado sem consolidar processos e fontes de receita. “Antes de pensar em expansão, é preciso entender quais são os motores do seu negócio”, disse, ao sugerir a diversificação de canais e maior domínio sobre gestão financeira e operacional.

Já Denis Penna destacou que o ponto de partida deve ser o alinhamento entre negócio e estilo de vida. “Qual é o estilo de vida que você quer ter?”, questionou, ao explicar que essa definição influencia diretamente o tipo de empresa que faz sentido construir. Ele também reforçou a importância de focar no problema — e não apenas na solução — ao validar ideias de negócio.

Outro tema central foi a cultura organizacional e a gestão de pessoas, especialmente em empresas familiares. “Negócio é negócio”, afirmou Penna, ao defender a necessidade de separar relações pessoais de decisões profissionais. A clareza na comunicação de limites também foi apontada como essencial para evitar conflitos e garantir desempenho.

O uso de tecnologia apareceu como um habilitador importante, mas condicionado à maturidade da operação. Segundo os palestrantes, ferramentas e inteligência artificial só geram valor quando há processos bem definidos e equipes preparadas. “Se a empresa é desorganizada, a tecnologia só potencializa a desorganização”, destacou Mackeenzy.

Por fim, o painel reforçou que reputação e consistência são ativos centrais para quem empreende em série. Mais do que buscar crescimento acelerado, os executivos defenderam a construção de negócios sustentáveis, baseados em aprendizado contínuo, clareza estratégica e capacidade de adaptação ao longo do tempo.

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